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A Neurociência da Decisão

Implícita ou explicitamente, o sistema cognitivo humano processa as informações de forma seletiva. Para calcular a vasta gama de informações no ambiente e organizá-los em objetos coerentes, o cérebro humano tem que resolver alguns problemas computacionais complexos. O facto de nao haver ‘hardware’ neural no cérebro para processar toda a sua entrada disponível, este tem de filtrar as informações relevantes e descartar qualquer conteúdo desnecessário.

Este processo é amplamente conhecida como atenção seletiva. Processamento seletivo é, portanto, uma condição sine qua non para uma utilização eficiente dos recursos finitos computacionais de um cérebro, dado o fato de que a cognição humana involve a escolha do que processar. Julgamento, raciocínio, planejamento e tomada de decisão são processos importantes na vida das pessoas diariamente. Muitas vezes nos deparamos com problemas que precisam de soluções rápidas por meio de ações apropriadas. Basta, portanto, para monitorar continuamente o mundo externo, e desta forma prestando atenção às informações relevantes.

A fim de executar uma tarefa com sucesso e alcançar um objetivo desejado, detectar e, posteriormente, corrigir um erro, as pessoas devem ter alguns meios de monitorar seu próprio desempenho. Avanços na neurociência cognitiva levaram à descoberta de um correlato neural para a detecção de erro.

Estudos utilizando Electroencefalograma (ver Dehaene et al, 1994; Ghering et al, 1993; Falkenstein et al, 2000) isolaram um componente que se pensa ser uma resposta neural ao erro. Este componente tem sido rotulado a negatividade de erro (NE). A NE é uma forma de onda negativa observada atraves de EEG quando os seres humanos cometem erros em uma variedade de tarefas de reacção acelerada. Este componente é fronto-centralmente distribuído com picos de onda em cerca de 100 a 150 ms depois que uma resposta incorrecta é detectada (ver Falkenstein et al, 1991; Dehaene et al, 1994; Ghering et al, 1993).

Mauro Ramos Pereira

Referencias:

Gehring, W.J. et al. (1993) A neural system for error detection and compensation. Psychological Science. Vol.4, pp.385–390

Falkenstein, M. et al. (2000) ERP components on reaction errors and their functional significance: a tutorial. Biological Psychology. Vol. 51, pp. 87–107

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