Lusitanos Oxford

Reportagem no Euro 2016: Helder Pereira

Reportagem no Euro 2016 com Helder Pereira reporter da Radio Portuense e Dirigente dos Lusitanos Barcelona

Caros amigos Lusitanos de Oxford,

O Nelsón convidou-me para escrever para o vosso blog a minha experiencia no Euro 2016 onde vi quase todos os jogos da nossa seleção.

Antes de comecar a escrever sobre este Euro queria recuar há 4 anos atrás em Lviv na Ucránia onde estavamos para acompanhar Portugal no Euro2012 e onde conheci o Nelsón, ambos somos adeptos fervoroso da nossa seleçao, imigrantes, a viajar sozinhos e como senao bastasse, ambos boavisteiros, ambos jogamos e fazemos parte da direçao de um clube ‘Lusitanos’, ele no de Oxford e eu no de Barcelona, e ainda ambos tinhamos namoradas polacas, digo tinhamos porque entretanto eu ja casei e ele continua a vida de solteiro e faz ele bem. Varias coincidencias, que quase pareciam vidas paralelas. Mas adiante, tinhamos bilhetes caso Portugal fosse a final em Kiev, vimos o nosso sonho de ser campeoes europeus ser negado nas meias finais por penaltys contra a Espanha.

Passaram 4 anos e éis que nos voltamos ver em Franca (pelo meio eu participei num torneio de futebol em Oxford e ele de visita a Barcelona veio-nos ver jogar), cidade de St. Etienne Portugal joga contra a Islândia, eu fiz reportagens para a Rádio Portuense durante este Euro, foi algo que me divertiu e apesar de nao ter nenhuma experiencia em ser jornalista a entrevista com os islandeses fez com que constatassemos algo que já se sabia que eles sao mesmo muito simpáticos, talvez dos mais simpáticos do torneio. Para entrar no estádio levo uma boneca insuflável carinhosamente apelidada de Xibeca (deve-se a outro amigo que levou a “sua Xibeca” a Suécia onde vimos Portugal ganhar 2-3 nos playoffs em 2013 e também a levei ao mundial do Brasil em 2014), mas desta vez a minha quase nao entrava no estádio por motivos de seguranca LOL, uma boneca insuflável com a camisola dos Lusitanos de Barcelona num 12 nas costas nome Bode que é a alcunha que levo desde a escola secundária, mas no final lá a deixaram entrar. O futebol faz parte da minha vida, mas de que serve se nao for para divertir?

Segundo jogo em Paris Parc des Princes contra a Áustria, sem grande história o empate a zero, confeço que nesta altura nao estava nada a espera de que chegassemos a final, aliás nem eu nem mesmo fan n’1 da seleçao quem eu entrevistei para a Rádio Portuense depois do jogo.

Terceiro jogo em Lyon o 3-3 contra a Hungría, foi até entao o jogo mais emocionante do Euro, e foi onde começaram a aparecer os Ultras liderados por elementos dos Super Dragões e Juve Leo, pouco a pouco fizeram com que o ambiente nas bancadas e o apoio fosse crescendo, uma palavra de apreço para eles.
Finaliza assim a fase de grupo, organizar as viagens para a fase de grupos para mim foi fácil, desde Barcelona havia vários vôos low-cost e ainda tinha alguns pontos na Vueling pelos que algumas sairam grátis, viajava no dia do jogo e voltava no dia seguinte. Além dos três jogos de Portugal ainda tive oportunidade de assistir ao Espanha – Rep. Checa em Toulouse porque ganhei um convite.

Bom adiante, chegamos aos oitavos de final, o único jogo que vi na TV em minha casa, gritei com todas a minhas forcas o golo do Quaresma, acho que os vizinhos deram-se conta.

Quartos de final contra Polonia, jogo especial para mim já que estou casado com uma polaca e tenho um filho com dupla nacionalidade (português e polaco), foi o unico jogo que não vesti a camisola axadrezada, vesti a camisola da seleção polaca, mas ganhamos nos penaltys isso é o que importa, foi também a única viagem de autocarro que fiz. Barcelona – Marselha 8h30 ida + 8h30 volta. Para mim o Velodrome foi o melhor estádio que eu visitei no Euro.
O facto de Portugal ter passado em terceiro nos grupos fez com que este jogo calhasse a uma quinta-feira e eu tinha feito planos para acompanhar caso Portugal passasse em primeiro ou segundo, mas lá consegui mudar o turno de trabalho e trabalhei no sábado e domingo seguinte ao jogo.

Meias finais contra Gales, jogamos novamente em Lyon, excelente jogo e excelente noitada, muita cerveja e convívio com os galeses, acham que eles estavam tristes por terem perdido? Nada disso, para eles o facto de estarem lá já era algo único, chegar as meias finais algo extraordinário, deram-nos os parabéns e desejaram-nos sorte para a final.

E eis que chegamos ao dia da final, viajo uns dias antes para Paris onde fico em casa dum primo meu, há muito ‘pique’ dos franceses à comunidade portuguesa, não lhes passa pela cabeça que perder seja uma opção. E depois a história do jogo já toda a gente conhece, ganhamos no prolongamento com golo do Éder. Apesar de tudo que já se leu estes dias do Éder, também eu quero aqui pedir desculpa ao Éder, fui um dos que não acreditava nele, achava que ele não tinha lugar nos 23, a história do Éder faz com que eu mude radicalmente a minha postura no que respeita a decisões de treinadores, acreditar nas pessoas mesmo as que sao gozadas e criticadas diariamente, não estou a brincar, é mesmo uma história bonita. O pontapé do Éder fez com que me saltassem lágrimas instantaneamente, no estádio abracei-me aos meus amigos e a outros desconhecidos com quem gritamos juntos GOLO CARALHO!! Saltava, gritava, e chorava, não tenho vergonha nenhuma de dizer que chorei (e não foi pouco), emociono-me cada vez que penso nisso e emociono-me agora que escrevo este texto, depois lembro-me de olhar para o placard já está 0-1 mas ainda faltam 10 minutos, quais 10 minutos, parecia uma eternidade, por fim chega o apito final e SOMOS CAMPEÕES EUROPEUS!

E foi mais ou menos isto, o meu Euro obviamente o ponto alto foi o golo na final tal como descrevi, fez com que todo o esforço, cada viagem, cada noite mal dormida, cada gota de suor, cada cêntimo gasto, tudo valesse a pena a dobrar. Sim a dobrar. Quero dizer que mesmo que Portugal não fosse campeão, tinha valido a pena, cantar ‘A Portuguesa’ nos estádios, beber ‘jolas’, viajar, conviver e conhecer gente que vem de todas as partes do globo, sim conheci gente de veio do Cánada, da Australia, da Africa do Sul, da Venezuela, alguns de segunda ou terceira geração e quase nem português falavam bem, mas estavam presentes. Um abraço também para a malta conhecida de outras viagens futebolísticas, não vou citar nomes porque foram muitos, mas um destaque para a comitiva flaviense, para o ano quando o Boavista jogar em Chaves quero lá ir. Tudo boa gente!Tudo valeu a pena, ser campeão foi ouro sobre azul!
Celebrei o titulo com o meu filho na Polonia onde termino as férias e a quem um dia contarei estas e outras aventuras, e com quem um dia espero viajar para um Euro ou Mundial seja para ver Portugal ou Polonia e celebrar o desporto-rei, no fundo celebrar a vida. Agradecer também a minha esposa pela paciência, Kocham Cię! Na segunda-feira voltaremos a Barcelona, não vai custar tanto chegar ao trabalho e poder dizer ‘psst eh tranquilito que ahora el campeón europeo aqui soy yo 🙂

Grande abraço
Helder Pereira

(aka Bode #eurodobode)

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